A censura a imprensa é muito citada no livro “O que é isso companheiro” de Fernado Gabeira. Um dos trechos mais importante sobre esse assunto foi no capítulo 15, em que, após o sequestro do embaixador americano, a imprensa lê uma carta escrita pelos revolucionários. Achei este trecho um dos momentos mais importantes do livro, pois percebe-se o entusiasmo do autor ao se lembrar da cena.
Uma parte do trecho segue abaixo:
"As duas exigências", dizia o texto,
são: a) a libertação de quinze prisioneiros políticos que sofrem torturas nas celas de prisões em todo o país, que são golpea¬dos, maltratados e suportam as humilhações que lhes impõem os militares. Não pedimos o impossível, não pedimos a volta à vida de inúmeros combatentes assassinados na prisão. Os que não forem libertados agora, é claro, serão reivindicados algum dia.
b) a publicação e leitura desta mensagem completa nos prin¬cipais jornais e estações de rádio e televisão do país.
Não pedíamos o impossível. Quando ligamos o rádio à noite, ouvimos o texto ser lido por locutores oficiais. Fal¬tava um pouco de saliva, às vezes embatucavam numa ou noutra frase mais agressiva. Foram até o final.”
Na época da ditadura a censura foi fortemente praticada pelos militares, o simples fato de que uma carta contra o governo foi lida pelos principais meios de comunicação do Brasil mostra que a luta contra a os ditadores não mostrava-se em vão.
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