sábado, 27 de junho de 2009

"Onde o Filho Chora e a Mãe não Ouve"

“Ligaram os fios na minha mão e co¬meçaram a dar choques e perguntar por pessoas. Capitão To¬más gritava, enquanto davam os choques: turco filho da puta, turco filho da puta. Achei estranho aquele tipo de tratamen¬to, quase íntimo num certo sentido. Minha reação diante dos primeiros choques foi uma reação de um homem civiliza¬do, creio: fiquei perplexo em ver que aquilo existia e que havia pessoas que o empregavam. Claro que já sabia disso por outros caminhos, mas agora estava vendo e era o mes¬mo que ver crianças arrancando as penas de um passarinho. Como é que isso era possível em gente daquela idade? En¬quanto pensava, ia tomando novos choques e quando pas¬saram os fios para a ponta da orelha realmente deixei de pen¬sar em outra coisa, exceto na necessidade de não deixar que minha cabeça se partisse. Cada vez que davam o choque, tinha uma profunda sensação de dilaceramento, da cabeça se partindo em duas, e acreditava que podia fazer alguma coisa com o corpo para mantê-la intacta”

O trecho acima, tirado do livro “O que é isso companheiro”, mostra que o personagem é torturado. Fernado Gabeira descreve claramente como eram feitos os interrogatórios pelos militares, muitos métodos foram usado pelos torturadores, todos citados no livro. Realmente muito chocante ver que algumas pessoas são capazes de fazer esse tipo de coisa com outras pessoas.
O livro passou uma boa idéia de como era nas prisões onde eram levadas as pessoas a serem torturadas e como eram os métodos usados pelos torturadores, para saberem da verdade, e as estratégias usadas pelos presos para resistirem aos interrogatórios. Em outro trecho do livro o personagem descreve os interrogatórios como um jogo de “vai e vem” de pequenas derrotas e pequenas vitórias, isso nos passa a idéia de que mesmo estando preso o personagem ainda lutava contra a ditadura, saindo-se vitorioso em algumas vezes e não em outras.

Um comentário:

  1. Também achei bem chocante sabendo que acontercera assim, por isto acho que este capítulo é o mais forte e emociante. Foi escrito no mesmo estílo neutro descrevendo a situação sem paliar nada. Mostra o lado mais horroso do regime e deixa o leitor quando acabar o livro.

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